Esta ideia surgiu-me hoje numa aula de português:
Zé (ou Quim, ou João, ou Tó, ou Manel, ou qualquer outro nome usado como protótipo de alguém indeterminado, a quem poderia ter acontecido determinada coisa), continuando, Zé estava a dormir tranquilamente na sua cama muito bonita do século XVIII, mas que, infelizmente, estava a ser vencida pela natureza, sendo comida pelo caruncho (vulgo, bicho da madeira).
Estão todos a pensar que a cama se partiu e o Zé com ela, não estão?
Mas não. O que acontece é que, certa noite, o Zé é picado, por engano, por um dos bichos. De manhã não dá grande importância à borbulha, mas o bicho gostou da nova variedade de "madeira e disse à família toda. No dia seguinte o Zé
volta a acordar magoado, mas pensa que o buraco coberto com uma gota de sangue que tem nas costas é mais uma daquelas feridas que toda a gente tem sem saber onde criou. O Zé começa a preocupar-se quando o mal se alastra, marcando consulta no médico e melhorando os seus hábitos de higiene, pensando que talvez fosse lepra.
Mas então acontece o fatal: o bicho come-lhe a espinal medula e, sem ligação entre o corpo e o cérebro, o Zé não se consegue levantar de manhã. Como vivia sozinho em Vila Real, onde tirava a licenciatura de Enologia, não pode chamar por socorro, mas agonia não dura muito, porque às 11 da manhã um bicho mais acima acaba por lhe fulminar de vez os fusíveis. Os pais estranham ele não vir atender o telefone nem vir a casa no fim-de-semana, como de costume, e resolvem ir eles a Vila Real vê-lo. Mas o ataque era tal e o cálcio dos ossos tinha sido um tão bom complemento alimentar para fortificar os dentes do bicho que já não encontraram Zé nenhum: apenas montes de pó sobre uma série de buracos numas coisas brancas, muito disformes, que se supôs serem o que sobrou dos ossos.
Não baseado em factos veídicos
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
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Um comentário:
Gostei muito!
Original e bem escrito
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