Esta ideia surgiu-me hoje numa aula de português:
Zé (ou Quim, ou João, ou Tó, ou Manel, ou qualquer outro nome usado como protótipo de alguém indeterminado, a quem poderia ter acontecido determinada coisa), continuando, Zé estava a dormir tranquilamente na sua cama muito bonita do século XVIII, mas que, infelizmente, estava a ser vencida pela natureza, sendo comida pelo caruncho (vulgo, bicho da madeira).
Estão todos a pensar que a cama se partiu e o Zé com ela, não estão?
Mas não. O que acontece é que, certa noite, o Zé é picado, por engano, por um dos bichos. De manhã não dá grande importância à borbulha, mas o bicho gostou da nova variedade de "madeira e disse à família toda. No dia seguinte o Zé
volta a acordar magoado, mas pensa que o buraco coberto com uma gota de sangue que tem nas costas é mais uma daquelas feridas que toda a gente tem sem saber onde criou. O Zé começa a preocupar-se quando o mal se alastra, marcando consulta no médico e melhorando os seus hábitos de higiene, pensando que talvez fosse lepra.
Mas então acontece o fatal: o bicho come-lhe a espinal medula e, sem ligação entre o corpo e o cérebro, o Zé não se consegue levantar de manhã. Como vivia sozinho em Vila Real, onde tirava a licenciatura de Enologia, não pode chamar por socorro, mas agonia não dura muito, porque às 11 da manhã um bicho mais acima acaba por lhe fulminar de vez os fusíveis. Os pais estranham ele não vir atender o telefone nem vir a casa no fim-de-semana, como de costume, e resolvem ir eles a Vila Real vê-lo. Mas o ataque era tal e o cálcio dos ossos tinha sido um tão bom complemento alimentar para fortificar os dentes do bicho que já não encontraram Zé nenhum: apenas montes de pó sobre uma série de buracos numas coisas brancas, muito disformes, que se supôs serem o que sobrou dos ossos.
Não baseado em factos veídicos
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Na guerra
A morte que foi, sem dúvida, ao longo dos tempos, considerada mais heróica é a que acontece na guerra, a defender a pátria. As vítimas deste fim têm direito a funeral pago pelo estado, uma medalhinha para a família e, se a sua morte for uma façanha realmente grandiosa, serão heróis nacionais relembrados ao longo dos séculos. Mas o que diriam de alguém que atravessasse as linhas inimigas de um extremo ao outro, para depois o cavalo escorregar e caírem os dois de um precipício, o corcel sobre o ginete? Seria de facto um herói, pelo que fez, mas não teriam de abafar o ridículo de alguém que aguenta com todos os inimigos, mas não com o (peso do) próprio cavalo? De alguém que não é deitado a baixo por centenas de espadas e baionetas, mas não vence um pedaço de lama?
Comentem, leitores, porque uma característica que eu quero que caracterize este blog é a interacção entre leitores e membros, digam o que pensam destas mortes, sugiram as vossas
Comentem, leitores, porque uma característica que eu quero que caracterize este blog é a interacção entre leitores e membros, digam o que pensam destas mortes, sugiram as vossas
Porco Espinho
Para os primeiros passos do blog dou a sugestão de uma morte ridícula:
Ser atacado por um porco espinho e, por azar, um dos seus espinhos perfurar-nos uma carótida (artéria do pescoço). Não desejaria isto a ninguém!
Quem quiser participar no blog mande-me um e-mail
Ser atacado por um porco espinho e, por azar, um dos seus espinhos perfurar-nos uma carótida (artéria do pescoço). Não desejaria isto a ninguém!
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terça-feira, 9 de janeiro de 2007
Para que não pensem que somos parvos/suicidas
Depois do impossível de pura e simplesmente não o ter, qual será o melhor fim que um ser humano pode ter? Este ponto tem suscitado discussão ao longo dos tempos e concluímos era a altura de criar um espaço onde se pudesse discutir livremente (e não necessariamente seriamente) sobre este tema. Desde a morte mais agradável à mais heróica, passando por aquela pela qual gostaríamos de ver as pessoas a chorar, se nos dessem um dia para a escolher uma morte e não podendo escolher "adormecer" durante o sono.
Esperamos que este espaço pouco ortodoxo seja bem aceite pela sociedade e aumentar o número de colaboradores, pois não vale a pena criarmos tabu sobre o tema mais inevitável da vida, sendo antes necessário aproveitá-lo para momentos de humor, desde que não firam a dignidade de alguma pessoa em particular. A morte estúpida, a ridícula, a inimaginável, todas elas terão aqui um espaço, para que as pessoas, no fim da vida, se lembrem: "cumpri tudo, até a morte que eu planeava era esta"/"sou um fracasso tão grande que nem morro quando quero"/"só tenho pena que tudo acabe desta maneira"
António Sousa Leite
João Lopes
Esperamos que este espaço pouco ortodoxo seja bem aceite pela sociedade e aumentar o número de colaboradores, pois não vale a pena criarmos tabu sobre o tema mais inevitável da vida, sendo antes necessário aproveitá-lo para momentos de humor, desde que não firam a dignidade de alguma pessoa em particular. A morte estúpida, a ridícula, a inimaginável, todas elas terão aqui um espaço, para que as pessoas, no fim da vida, se lembrem: "cumpri tudo, até a morte que eu planeava era esta"/"sou um fracasso tão grande que nem morro quando quero"/"só tenho pena que tudo acabe desta maneira"
António Sousa Leite
João Lopes
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